O SAMBA QUE MORA EM MIM

LONGA-METRAGEM

Direção: Georgia Guerra-Peixe
Produtora Executiva: Denise Tibiriça Machado
Produtora Executiva: Paula Cosenza
Assistente de Direção e Pesquisa de personagem: Gisela Camara
Foto Still: AC Junior
Direção de Fotografia: Marcelo Rocha
Making of: Luiz Ferraz
Direção de Arte e Cor: Giuliano Saade
Som Direto: Leandro Lima
Trilha Sonora Original: Dimi Kireeff
Edição Sonora: Branko Neskov
Montadores: Nani Garcia, Jair Peres, Gustavo Ribeiro e Mair Tavares

Em 2002, decidi que iria me dedicar a fazer o meu primeiro longa-metragem. Passei um ano pensando no tema e se seria uma ficção ou um documentário. Achei que o caminho documental seria mais tranquilo, por me expor menos em um primeiro filme. Estava completamente enganada. O mergulho no Samba me fez refletir sobre valores da vida.

O SAMBA QUE MORA EM MIM nasceu primeiro como um filme que se passaria na casa de uma família do morro da Mangueira. Documentaria o cotidiano e contaria a história de uma família com tradição no samba e a pergunta que responderia: E se não houver carnaval?

Em 2006, um canal de TV do Canadá se interessou pelo então MANGUEIRA, título provisório, e iniciamos uma conversa de como eles participariam do filme. O desejo era ter uma personagem canadense no meio. Surgiu a Patrícia, uma musicista de Montreal que tocava acordeon, filha de mãe canadense com pai português. Uma estudiosa da música que tinha no Brasil uma de suas maiores inspirações. Para encontrar Patrícia, passei 12 dias em Montreal pesquisando personagens.

Confesso que os anos foram passando e cada vez mais me via distante do filme que queria fazer. Desejava uma relação com a comunidade da Mangueira que fosse delicadamente investigativa. Desejava a troca, queria ouvi-los e subiria o morro atrás da música, querendo conhecer a comunidade. Em 2008, conversamos internamente na Bossa Nova e decidimos que ter um filme autoral, com a minha cara, seria o melhor caminho. O Canadá não só queria que uma personagem entrasse na história, como pedia também para que o roteiro tivesse sangue, sexo e violência. Tudo o que eu não mostraria, não me convidava a filmar. Enfim, com dor no coração, rompemos com Canadá e focamos na grana que tínhamos e na história que desejávamos contar.

Mudei para o Rio de Janeiro no final do ano de 2008. Morei por três meses e meio em um apartamento nas Laranjeiras. Um quarto e sala ideal para ficar sozinha e mergulhar no meu longa e nas minhas inspirações. Deixei meu filho em São Paulo e passei a vê-lo uma vez por semana. Penso que ele, aos 10 anos de idade, não entendia o que eu estava fazendo no morro, mas lia a felicidade estampada em meu rosto.

Em 2009, terminei de rodar o longa. Em 2010, passei o ano montando. Foram três montadores diferentes.

Uma personagem fundamental para o SAMBA foi a roteirista Ticha Godoy. Ela assistiu tudo, leu todas as transcrições e me entrevistou. Faltava a gente alinhar o “motivo” pelo qual estava mergulhando com tanto afeto no morro da Mangueira, na comunidade e nas casas das daquelas pessoas maravilhosas. Porque o som do morro passava, aos poucos, das músicas à voz e as histórias? Enfim, essas respostas foram dadas pela Ticha, que me fez escrever o texto de abertura e de encerramento e lê-los para, então, ligar todos os pontos.

Sofri muito com essa ideia de abrir o filme com a minha voz. Agora, entendia de fato o quanto o gênero documental mexe conosco. Não é possível fazer um longa sem envolvimento, entrega e um pedaço de si. Gravar o texto de abertura fez todo o sentido para o filme. Obrigada Ticha, pela sensibilidade e perseverança.

Sim, O SAMBA QUE MORA EM MIM fala da minha relação com o samba, com o morro e com o universo do carnaval. Um filme que convive com pessoas, que abraça desconhecidos e me apresenta como uma personagem, que encontra e escuta a história das pessoas.

Rodei o filme na época em que o morro não era pacificado. Tenho sempre duas histórias para contar: a que filmei, com meu foco e minha busca intelectual e a experiência que vivi, convivendo em uma comunidade entre armas, casas, feijoadas, gargalhadas, choros e drogas.

Tem o que filmei, montei e pus na tela e o que vi, vivenciei e pus na alma.

Desci do morro em 2011, quando lancei o filme. Mas trago comigo até hoje alguns questionamentos quanto a sociedade de classes que, em algum momento, farei algo com isso.

Em 2011, tínhamos o filme montado, mas faltava a grana para finalizar. Entramos em um edital em Portugal e ganhamos. Lá fui eu para a Europa com meu SAMBINHA.

Mais uma vez, deixei meu filho em casa e embarquei para Lisboa, onde finalizei o som, com a supervisão de Dimi Kireeff que, além de compor todas as músicas originais do longa, fez a supervisão sonora.  Depois fui para Berlim finalizar a imagem onde tive a companhia de Giuliano Saade, que assina a parte gráfica do SAMBA, e também supervisionou a cor do filme.

Enfim, rodei na favela e finalizei na Europa. Estreei na 34a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e lá ganhamos um prêmio que colocaria o SAMBA em mais 20 festivais. Ganhamos prêmios, aprendemos muito e exibimos o filme no cinema e na TV.

Essa foi a minha estreia e a da Bossa Nova no universo do longa metragem. A Bossa, a partir de então, fez mais 10 longas e eu caminho para o meu segundo, dessa vez uma ficção: O AMOR É IMPORTANTE, em fase de roteiro.