ITAÚ

Vovloggers

Agência: África
Direção: Georgia Guerra-Peixe_Joca
Criação: Eco, Ziggy e Feijão
Direção de Fotografia: Marcelo Rocha e Pepe Mendes
Direção de Produção: Merilyn Salvatierra e equipe
Direção de Arte: Georgia Guerra-Peixe_Joca,
Silvinha Cunha e Patricia Pereira
Direção de elenco: Yago Warren
Pesquisa de personagem: Ticha Godoy
Assistente de direção: Renata Graciotti, Vivi Acatauassu,
Taty Falco, Diego Bechir, Manu Carvalho e Isadora Levy
Som direto: Rene Rabelo Fonseca,
Sidney Sapucaia e Deby Jay Murakawa
Montadores: Daniel Crepaldi,
Ricardo Carvalho e Henrique Smith
Produção executiva: Moa Ramalho

O filme Chá Digital, da agência África, foi o pontapé inicial para desenvolvermos o que chamo de projeto de marca. Primeiro dirigi o filme Chá. A ideia inicial era ter duas amigas senhoras, que tivessem uma história juntas de muitos anos. A vontade era vê-las juntas vivendo o desafio de fazer tudo pelo celular por um dia inteiro.

Iniciei pela pesquisa de elenco. Aqui mora uma das coisas que mais faço e, quanto mais faço, mais invento um jeito diferente de fazer: encontrar personagens para com eles contarem a história de cada um, entrelaçando as marcas.

Sim, duas senhoras que nos transmitisse vitalidade e energia, que falassem bem e compartilhassem suas histórias.

OK, mas por onde começar? Pela equipe que contrataríamos para a pesquisa. Cada pesquisa, um coletivo de profissionais diferentes. Ora trabalho com antropólogos, ora com roteiristas, ora com jornalistas, ora com meus assistentes e ora com produtores de elenco. Mas a verdade é que a pesquisa que faço é de vida e histórias e não de perfis físicos ou estéticos.

Compro o que eles viveram e como contam isso. Sempre trabalho dando a pesquisa um suporte criativo. “Crio”, imaginando quem são os personagens que queremos e chamo isso de Perfil Ideal. Sabe o “sonho de consumo”? É isso que eu crio. Se eu pudesse ter controle total, gostaria de contar com uma dupla de mulheres esportivas, que tenham vida e saibam ser avó, bisavó e mãe, sendo elas mesmas. Elas têm atividades próprias, alta estima e não acreditam que tem 75/80 anos. São pessoas que vivem perto do mundo digital porque são antenadas e, também, porque querem fazer parte dos diálogos da família contemporânea.

Os apps como WhatsApp, Facebook, 99Taxi e alguns outros, precisam estar nos smartphones dessas senhoras.

Enfim, tendo isso em mente iniciamos nossa pesquisa. Foram duas semanas nas ruas. Encontramos poucas, mas interessantes duplas. Normalmente, não sou eu quem faz isto, são as minhas assistentes que vão até a casa, ou universo pessoal, de cada possível personagem e lá conversam com eles e me trazem o personagem. Esse encontro é registrado em uma gravação do que meus assistentes acharam da pessoa, da casa e da família; um ensaio fotográfico, já que há a possibilidade de filmar na casa das pessoas, então preciso saber como esses cenários se comportam e uma gravação livre com perguntas e respostas.

E sabe como a Lilia e a Neuza nos ganharam? Porque durante a conversa inteira elas ficaram de mãos dadas e falavam uma completando a outra ou até mesmo questionando a fidedignidade da memória. Assim, era divertido vê-las juntas e, o mais interessante, elas se conheciam há 62 anos e tinham 80 de idade. Faziam esporte e tinham uma vida cheia de atividades (Ops, achávamos…).

É assim que eu funciono: Quando encontro um personagem, eu sei. E não  trabalho no quantitativo e sim no qualitativo. Procuro histórias e contadores de histórias e não um roteiro. Em seguida, entrego os personagens para a criação com um pré-roteiro, ressaltando a capacidade que cada dupla pode entregar para cada filme.

No final, sem dúvida nenhuma, elas foram aprovadas.

A filmagem foi na casa de uma delas, a amizade é real e o uso do celular foi sincero.

Apresentamos e, logo em seguida, em conversa com o Diretor de Criação Eco Moliterno, pensamos em fazer um canal de YouTube com as mais velhas YouTubers do Brasil. Ele propôs que se chamassem OCTUBERS .

O Itaú comprou essa ideia. Sentamos com a 301, os criativos da agência África, Ziggy e Feijão e criamos o nome: Vovloggers. E, a partir dali, foram mais de 10 filmes com elas e os YouTubers famosos conversando sobre o universo digital.

Elas se divertiram, ganharam dinheiro e reconhecimento. O Itaú ganhou a simpatia de muitos clientes com o carisma dessas duas na tela. Nós aprendemos  muito com a história de vida delas. A experiência marcou o ano de 2016. Ver essas duas senhoras vivendo uma mudança de ritmo de vida, aos 80 anos, foi inspirador. A Lilia, viúva recente, tinha acabado de ser demitida da escola onde trabalhou por 35 anos e não sabia o que fazer para dar movimento em seu cotidiano. E Neuza, acabava de receber um diagnóstico de um problema no pulmão que a levaria a sala de operação. Foi assim que as encontramos. Lilia, nesse ano, não sentiu falta da rotina e a Neuza não precisou mais operar. Ou seja, elas se deram essa oportunidade de viver uma experiência diferente e, com isso, mexeram com seus dias e, quem sabe, com seus destinos.

Em dezembro, fechamos o ano com chave de ouro preparando uma surpresa para elas. Sem que soubessem de nada , juntamos as duas famílias em uma casa e  fizemos um jantar de final de ano. Foi emocionante ver elas chegarem e perceberem que aquele era um momento especial, familiar e de reencontro.

Foi lindo dirigir esse filme, muita emoção e verdade. Eram 3 equipes rodando ao mesmo tempo: A principal com uma câmera ALEXA e duas outras com duas câmeras 7S cobrindo momentos especiais, que aconteciam simultaneamente.

O que preparamos foi um momento de verdade, decupado, onde cada um chegou em uma hora determinada e tudo foi cronometrado e ensaiado para ser documentado. Eles cozinharam o que realmente cozinham na ceia de natal. Chegaram de corpo e alma abertos para confraternizarem e estarem juntos. Tudo teve verdade e, no final, o resultado são os dois filmes: o que foi para o ar e o Making Of.