A DIRETORA

verdade, cinema, fotografia,
histórias e linguagem

“Foi em um seminário sobre a década de 60, na faculdade de Desenho Industrial, que descobri que o cinema era a arte pela qual me comunicaria com o mundo. Foi assim que começou a minha jornada de vida em contar histórias e olhar o mundo.”

Transferi meu curso para Jornalismo e, nos dois anos que cursei, entendi que opinião e responsabilidade com a verdade são fundamentais.

Trabalhei na TV da faculdade, fiz um documentário sobre “o primeiro beijo”, exibido na TV Cultura e escrevi muitos roteiros. No final dos anos 80, tranquei a matrícula e fui para os USA. Depois de 8 meses de cursos e muita dedicação na gringa, fui aprovada para o curso universitário de Liberal Arts, mas ainda não era cinema.

Mas antes mesmo de iniciar, resolvi voltar ao Brasil. Desembarquei em São Paulo sozinha. Com a aprovação na faculdade de Cinema da FAAP, começaria uma jornada que determinaria o meu caminho de uma vez por todas.

GEORGIA GUERRA-PEIXE_Joca photo by Marcelo Saraiva

Fui assistente de direção de um diretor especializado em fotografia, assistente de um diretor de arte de agência e assistente de direção de um cineasta que fazia um grande esforço para contar uma história em 30”.

Apaixonada pela direção de atores e por contar histórias, passei meses na pesquisa de personagens para filmes publicitários. Percorria teatros, escolas de interpretação, escolas de ensino médio buscando pessoas reais e interessantes pelas ruas. Tinha minha câmera e bastava um roteiro que fazia a pesquisa completa e entregava editada para o diretor.

Fui sócia por 8 anos de um estúdio fotográfico. Lá aprendi muito do olhar gráfico, da direção de arte e iluminação. Comecei a dirigir em 1998, na produtora TAMBOR, surpreendentemente com a produção executiva do Moa Ramalho, com quem hoje, 20 anos depois, tenho uma bela parceria profissional. Ele volta a ser meu produtor executivo só que, agora, ocupando a posição de Line Production.

Em 2005, após 7 anos na estrada da direção de filmes, passei por uma fase especial pessoalmente. Então, resolvi dizer “SIM” à publicidade, pois entendi que queria muito viver as minhas oportunidades no audiovisual e que me dedicaria de corpo e alma à TODOS OS FILMES QUE FOSSE REALIZAR. TODOS!

Iniciei um processo de um fenômeno que eu nem sabia que estava por vir: entrei no universo do mundo virtual.

Passei a fazer duas jornadas de trabalho. Durante o dia, me dedicava aos projetos de 30” da publicidade tradicional e depois das 19 horas mergulhava nos projetos de WEB com uma equipe à parte, só de jovens.  Aqui, nasce o coletivo criativo de jovens que eles mesmos intitularam de JOQUISTÃO.

Eram assistentes com talentos e interesses diferentes e, juntos, fizemos muitos movimentos na arte, na busca de linguagem, no branded content e na publicidade tradicional. Surge então o Docvertising ou Doc-Advertising, um processo que me permite filmar com uma pessoa anônima, usando seu vocabulário e sua verdade em função de uma marca.

Fiz mais de 70 projetos nesse caminho para as mais diferentes marcas: Latam, Mastercard, J&J, Claro, Hellmann’s, Knorr, Itaú, Land Rover, FORD, GE e muitos outros.

Hoje percebo que, mais do que uma diretora de filmes publicitários, sou uma contadora de histórias. Dirijo  filmes, ações, histórias conduzidas com emoção e com surpresas, filmes de ficção, enfim… Amo contar histórias.

Dirigi o longa metragem documentário intitulado “O Samba que Mora em Mim”, que percorreu mais de 20  festivais internacionais e pelo qual recebi 4 prêmios internacionais.

Dois programas de TV: “Filhos deste solo”, com 4 episódios de 25’ cada para Land Rover, exibido no canal OFF e “Minha trilha sonora”, 13 episódios de 25’ cada, para o canal BIS.

Além disso, tenho um projeto pessoal chamado ATRAVES\\, em que documento processo criativo de artistas e formadores de opinião, à partir de uma plataforma de arte. Um projeto sem fins lucrativos que tem a função de ser inspiracional. Coleciono mais de 900 vídeos em 500 dias de vida na plataforma de documentação audiovisual.

“Meu processo é de criatividade e dedicação em todas as etapas. Cada filme que faço é um processo diferente que me leva a estar atenta o tempo todo. “